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Dia Universal do Doador de Sangue

Dia Nacional do Doador de sangue

A hematologista Dra. Maeva Seo Gomes Pinto Fonseca, fala a respeito da importância de ser um doador de sangue

No dia 25 de novembro, comemora-se o Dia Nacional do Doador de Sangue. A data tem o objetivo de agradecer aos doadores de sangue pela ação de doar e sensibilizar a população para a importância da doação.

O mês de novembro foi escolhido por preceder um período de estoques baixos, a proximidade das férias, de datas comemorativas de final de ano e carnaval, tornado esse dia especialmente importante para nos lembrarmos e promovermos esse ato solidário. Por isso, mais do que um ato de amor, a doação deve ser um hábito para que os postos tenham sempre o volume necessário de sangue e seus produtos para salvar vidas.

Assim, a doação de sangue deve ser uma prática celebrada. Mas você sabe quais são os processos por trás de uma atitude como essa e quais os critérios para ela? A Dra. Maeva Seo Gomes Pinto Fonseca, que é Hematologista e Diretora Clínica do Centro de Hematologia de São Paulo, vem tirar as dúvidas mais comuns a respeito desse ato.

Qual é a importância da doação de sangue?

Doação de sangue é o processo pelo qual um doador voluntário tem seu sangue coletado e armazenado em um banco de sangue ou hemocentro, para uso subsequente em transfusões de sangue.

A doação de sangue e produtos sanguíneos é de grande valia para as pessoas que necessitam de transfusão e/ou outros derivados. Com uma única bolsa de 450 ml de sangue é possível salvar até 4 vidas.

Esse ato ajuda na recuperação e na sobrevivência de vítimas de acidentes, de pessoas com doenças hematológicas e até mesmo câncer.

Em quais situações uma transfusão de sangue se faz necessária?

O simples ato de doar pode poupar familiares da dor da perda, pode ajudar na reabilitação de pacientes e dar esperança para inúmeras pessoas que estejam passando por momentos complicados na saúde.

Estão listados a seguir as possibilidades de doenças e condições em que a doação de sangue é primordial para recuperação do indivíduo.

    • pacientes com câncer e doenças onco-hematológicas
    • enfermos com anemias hereditárias como Doença Falciforme e Talassemia;
    • vítimas de acidentes e queimaduras
    • pessoas submetidas a grandes cirurgias

Se faz necessário ressaltar que essa atitude é 100% voluntária e não deve ser objeto de coação. Dessa forma, a solidariedade deve ser incentivada mas não cobrada.

“Apesar do grande avanço tecnológico na área da saúde como um todo, ainda não fomos capazes de criar um ‘substituto sintético’ para o sangue, seguindo como algo insubstituível”, explica a Dra. Maeva Seo Gomes Pinto Fonseca.

Campanhas podem incentivar a doação de sangue?

No Brasil, são coletadas 3,6 milhões de bolsas por ano, apesar de estar dentro do esperado pela OMS esse número está abaixo do desejado pelo Ministério da Saúde. Segundo o Ministério da Saúde, 1,8% da população brasileira doa sangue de forma regular. Esse número fica abaixo dos 2% definidos como ideais pelas Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), mas bem abaixo dos 5% registrados em países da Europa Ocidental.

Sendo assim, datas como essa visam estimular a doação e conscientizar que é possível salvar várias vidas com alguns mililitros (ml) de sangue. Dessa forma, as campanhas buscam, por meio da informação, encorajar e conscientizar a população sobre a importância de ser um doador recorrente.

Entre as ações distribuídas ao longo do ano, existem algumas datas específicas como o dia 25, citado anteriormente, mas elas não são determinadas ao acaso, existe um estudo por trás da escolha.

A seleção do dia 25 de novembro para ser o dia internacional do doador de sangue se deve à inúmeros fatores, tais como:

    • período de baixa nos estoques de sangue
    • férias iminentes
    • próximo a datas comemorativas e feriados

Apesar das campanhas terem um alcance grande na estimulação da atitude é necessário que as pessoas busquem os postos em todas as épocas do ano, dentro das medidas de segurança cabíveis para cada indivíduo.

“O ideal seria criar o hábito de doar nas pessoas, para que não houvesse falta de sangue em nenhum momento”, afirma a Dra. Maeva Seo Gomes Pinto Fonseca. Com isso, os bancos de sangue sempre estariam abastecidos com uma quantidade satisfatória para os hospitais.

Quem pode ser doador?

A princípio, quase todas as pessoas podem fazer doação de sangue, desde que estejam saudáveis e dentro dos critérios a seguir:

    • ter entre 16 e 69 anos;
    • pesar mais de 50 kg;
    • ter um documento oficial com foto (carteira de habilitação e RG, por exemplo);
    • ser considerado saudável

Além desses pontos, é necessário ficar atento também aos casos em que não é possível fazer a doação podendo ser de forma momentânea ou permanente.

As momentâneas consistem em:

    • pessoas com sintomas de gripe, resfriados ou apresentando febre;
    • mulheres grávidas ou no período pós-parto;

Já as permanentes são:

    • indivíduos que manifestaram hepatite após os 11 anos;
    • portadores de doenças sexualmente transmissíveis
    • pessoas com doenças ligadas ao vírus HTLV I e II;
    • doenças de chagas e malária;
    • uso de drogas ilícitas injetáveis.

Critérios de doação específicos para o Coronavírus:

- Pessoas com diagnóstico ou suspeita de Covid deverão aguardar 10 dias após completa recuperação e sem uso de medicamentos.

- Pessoas com teste positivo para Covid sem sintomas deverão aguardar por 10 dias após a data de coleta do exames;

- Aguardar 48 horas caso tenha tomnado vacina Coronavac/Sinovac e 7 dias caso tenha tomado Astrazeneca, Pfizer ou Janssen.

Quanto tempo demora para o organismo repor os níveis anteriores à doação?

A recuperação do doador é rápida e indolor. O volume de sangue coletado já volta ao normal em um período de 24 horas após a retirada. “A recuperação dos níveis de Hemoglobina leva de 6 a 8 semanas”, diz a especialista.

A hematologista ainda faz uma ressalva aos interessados em doar e/ou aos voluntários de carteirinha: “[É necessário] lembrar que as mulheres podem doar sangue a cada 90 dias, podendo fazer até 3 doações por ano. Já os homens podem fazer até 4 doações em 12 meses, com um mínimo de 60 dias de intervalo”, destaca a Dra. Maeva Seo Gomes Pinto Fonseca.

O doador tem alguma forma de prejuízo pelo ato?

A pessoa que faz a contribuição para o banco de sangue não tem nenhum prejuízo para a sua saúde. De acordo com a especialista, a duração do ato é de cerca de 40 minutos, ou seja, esse é o tempo de salvar uma vida.

Apesar de ser uma ação com larga divulgação, ainda existem pessoas que possuem medo de doar por conta de um risco, inexistente, de contágio. "Não há nenhum risco de contaminação durante a doação de sangue, pois todos os materiais utilizados são descartáveis e de uso único”, comenta a hematologista.

Como é realizada a doação de sangue?

A doação de sangue pode ser feita em diversos locais de coleta, como os hemocentros que estão espalhados em todo o território brasileiro. Mas você sabe quais são os passos que vão desde a doação até o destino final? Acompanhe a seguir.

1.    Recepção e cadastro

Acontece antes de efetuar a doação o candidato deve fazer um cadastro com dados pessoais e gerais. Nesse momento, é necessário um documento oficial com foto.

2.    Triagem clínica

Nessa etapa é feita uma entrevista para avaliar a saúde do indivíduo. Nela estarão listadas perguntas importantes e que não podem ser detectadas por meio de exames.

3.    Coleta

Ela é feita com materiais descartáveis e esterilizados, dessa forma não apresenta riscos ao doador.

4.    Testagens no sangue

Após a coleta, a bolsa de sangue é separada em componentes sanguíneos ou hemocomponentes (concentrado de hemácias, de plaquetas e plasma). Todo sangue é testado rigorosamente para doenças e tipagem sanguínea.

A doação de sangue deve ser incentivada em todas as épocas do ano, é necessário ter a consciência coletiva de que esse ato poupa vidas e muda histórias.